Quem gerencia oPrazer em Saber sou eu, Fernanda!

O Prazer em Saber surgiu após eu ter visto uma palestra no XVI Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana da Associação Brasileira em Sexualidade Humana (Sbrash), realizado em Campinas em 2017.

Na realidade desde que eu terminei minha Pós-Graduação em Sexualidade Humana pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) eu já partilhava informações sobre sexualidade com meus(minhas) colegas da Pós, mas  a partir da palestra da Sbrash surgiu a ideia de partilhar ainda mais conhecimento, para mais pessoas, por meio do instagram, facebook e, depois, pelo site do Prazer em Saber.

Sou uma pessoa apaixonada pela Psicologia, que depois de 8 anos de formada, se apaixonou novamente pela sexualidade humana.

Minha história com a Psicologia começou no século passado (rs), em 1999, quando escolhi fazer Psicologia. Aqui em Curitiba só existiam 3 faculdades que ofereciam esta graduação, por isso, nas outras faculdades de cidade que não ofereciam o curso, resolvi tentar o processo seletivo do curso de Direito.

Acabei passando nas duas e cursando ambas.

Psicologia fiz na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), entre 2000-2005, e Direito na Universidade Positivo (UP), graduação que realizei em duas etapas, entre 2000 a 2002 e depois de 2006 a 2008, isso porque no primeiro ano de Psicologia já soube que essa seria a minha profissão e preferi interromper a graduação em Direito em virtude dos estágios em Psicologia que realizava na época.

Terminei Direito pensando que conhecimento nunca é demais e que o que eu aprendi nesta graduação deveria ser acessível à todos(as/es) enquanto cidadãos(as).

Entretanto, Psicologia faz parte da minha subjetividade, é meu objeto de amor, meu encontro diário, minha realização pessoal e profissional. É onde me sinto segura e realizada, onde me atualizo, aprendo e me reinvento diariamente, sempre tendo como objetivo acolher aquele(a) que vem buscar um suporte “psi” para os sofrimentos que lhe afligem.

Mas mesmo trabalhando como psicóloga clínica desde 2005, não foi tão fácil assim me encontrar com a sexualidade.

Primeiro trabalhei como psicóloga clínica e escolar, atuando principalmente com demandas relacionadas emocionais de crianças, adolescentes ou que apresentavam dificuldades de aprendizagem, tanto que fiz uma formação em ludoterapia e uma Pós-Graduação em Psicopedagogia, entre 2008-2010, também pela PUCPR.

Foi somente a partir de 2011, quando comecei a trabalhar diretamente com mais de 15 profissionais da Medicina, sendo alguns urologistas e ginecologistas, que passei a receber em meu consultório pessoas com demandas relacionadas a sexualidade. Contudo, como não tinha tido praticamente nenhuma formação científica para realizar intervenções clínicas com pa sexualidade, buquei atualizações nesta área, dando início a minha segunda Pós-Graduação, agora em São Paulo, pela FMUSP.

Meu mundo mudou com esta Pós-Graduação, assim como minha clínica!

Hoje, atuo quase que exclusivamente com demandas relacionadas a sexualidade humana, principalmente diante das disfunções sexuais: vaginismo, vulvodínia (transtorno da dor gênito-pélviva/penetração), baixo desejo sexual (cientificamente chamado de transtorno do desejo sexual hipoativo feminino/masculino), dificuldade para obtenção do orgasmo (que se chama anorgasmia/transtorno no orgasmo), dor na relação (cujo nome técnico é dispareunia),  transtorno do desejo/excitação sexual feminino, disfunção erétil, ejaculação precoce e ejaculação retardada,

Também trabalho com com pessoas que apresentam parafilias e com questões relacionadas a transexualidade, isso porque o Ministério da Saúde, por meio da Portaria 2803, e o Conselho Federal de Medicina, por meio da Resolução 2265 de 2019, orientam que no caso do processo de transexualização (chamada também de redesignação sexual e transgenitalização) é necessário o atendimento multidisciplinar com atuação do(a) profissional da Psicologia.

Definitivamente encontrei meu lugar, tanto que além de atuar em meu próprio consultório, integro a Internacional Society for Sexual Medicine, a Sociedade Latinoamericana de Medicina Sexual, o Centro de Excelência em Gêneros e Sexualidades, a Sociedade Brasileira dos Estudos em Sexualidade Humana, da qual represento o estado do Paraná na função de Delegada Estadual desde julho de 2021, a Associação Brasileira de Medicina e Saúde Sexual e, por fim, estou na Coordenação de Proteção e Acolhimento a Criança, Adolescente e Família LGBTI, vinculado a Aliança Nacional LGBT.

Entretanto, mesmo fazendo tudo isso, ainda me angustia o fato de que, passado mais de 16 anos de minha formação, pouco as Instituições de Ensino Superior da capital paranaense mudaram no que tange a abordagem da sexualidade na formação dos(as) acadêmicos(as) de Psicologia.

Por isso, em 2016, me inscrevi no processo seletivo de Mestrado em Psicologia da Universidade Federal do Paraná para estudar este tema.

Do estudo do mestrado criei a I Jornada Paranaense de Sexualidade, com o apoio do Conselho Regional de Psicologia do Paraná e dos Programas de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Paraná e Universidade Tuiuti do Paraná. A I Jornada foi realizada em 2018 e teve como objetivo partilhar informações com acadêmicos(as) e profissionais da área da saúde, educação e ciências sociais sobre sexualidade. Em 2020, a II Jornada Paranaense de Sexualidade aconteceu com o apoio do Ceges (Centro de Excelência em Gêneros e Sexualidades) na modalidade online, por conta da pandemia da COVID-19.

Em 2018 eu defendi meu Mestrado pelo Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Paraná com a dissertação intitulada: “A formação científica sobre sexualidade nos cursos de graduação em Psicologia da região de Curitiba” e em 2021 eu passei no processo seletivo de Doutorado também pelo Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Paraná.

Espero em breve alterar minha titulação para Doutora, mas sem esquecer o principal objetivo de toda esta jornada pessoal e profissional: possibilitar que as pessoas tenham acesso a educação sexual, que vivenciem sua sexualidade da melhor maneira possível, diminuindo preconceitos e dores, vivenciando prazeres, orgasmos, carinho, afeto, aumentando a intimidade, conhecendo a si mesmas e sendo fiéis aos seus desejos.